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Lisboa, Portugal

New Cruise Terminal in Lisbon

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A história da cidade de Lisboa poder-se-ia contar através da sua relação com o rio. A evolução da forma urbana da cidade vai-se adaptando a matrizes de construção e de espaço público que alternam entre a longitudinalidade paralela ao rio e a transversalidade ortogonal ao mesmo. A transição entre a longitudinalidade das plataformas e a ortogonalidade das edificações acaba por definir a matriz do assentamento construído, mas também dos espaços vazios entre as construções que constituem os sucessivos entrepostos. O turismo de cruzeiros está tendencialmente a transformar o clássico conceito de viagem turística, onde o meio de transporte era necessário, mas não o próprio objecto turístico. O porto visitado é tendencialmente um complemento que se disfruta em tempo limitado e contrariamente ao barco contentor, é a terra firme da cidade real onde se pode sentir a espessura do tempo, da história e da memória. A nave cidade é projectada para ser vivida como um contínuo entretenimento, sem história onde se apaga a espessura do tempo. Quando do alto dos seus decks se contempla o lento desfilar da cidade de chegada em toda a sua complexidade estratificada acentua-se a vontade de emersão nessa magnífica realidade específca a cidade de Lisboa. Interessa na proposta privilegiar a espacialidade em detrimento da forma. No projecto a forma arquitectónica é uma espécie de reminiscência temporal da memória cultural da cidade tendencialmente evanescente para se tornar pura e radical espacialidade, e não um novo artefacto autorreferente ficcional, tentando competir ingloriamente com a condição caracteristica da própria nave cruzeira.

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No limite da memória escava-se o espaço e a luz (e com ela o tempo). Mais do que uma mimetização do sistema formal dos armazéns portuários do início de século passado, interessa a radical interpretação contemporânea que parte do carácter sistémico dessa presença ou do que dela resta com a erosão do tempo para refazer um novo sistema tectónico que no entanto assimila fragmentos dessas pré-existencias agora reciclados noutros usos para a cidade. Fruto de um legado mais cultural que táctil e físico, a nova presença arquitectónica transversal é recavada, furada, delimitada, definindo uma espacialidade e uma temporalidade que contém os vários âmbitos (dos mais controlados aos totalmente livres) que transitam entre uma “cidade-nave” fortemente ficcional e a cidade real.

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Todo este novo conglemerado arquitectónico que está em terra firme faz parte da cidade real reconfigurando-a nos seus aspectos de continuidade histórica e temporal. A solução proposta vai no sentido de criar um “pedaço de cidade” onde as áreas operacionais circundadas por um conjunto edificado significativo cuja gestão privada poderá criar margens de rentabilização importantes para toda a operação. Este objectivo levou a organizar todos os espaços do interface rodado paralelamente ao rio, ao longo da face terra do edificio do Terminal em dois níveis sobrepostos. Um primeiro nível enterrado ocupando o espaço da antiga doca (que folgadamente contem as dotações pedidas) serve o estacionamento automóvel. No rés-do-chão a placa de comutação com os autocarros e táxis. Este espaço constitui uma longa e larga praça arejada e coberta que poderá eventualmente ter outros usos que não a plataforma rodada.

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Os dados estatísticos fornecidos sobre a frequência dos cruzeiros permite detectar factores de sazonalidade e intervalos variáveis sem presença de cruzeiros, periodos estes em que aquela plataforma estará vazia, podendo ter outro tipo de utilização que uma gestão atenta poderá explorar. Trata-se especificamente dum espaço público com caracteristicas inexistentes na cidade de Lisboa, em que as suas grandes dimensões e o facto de ser coberta tornam possivel toda uma panóplia de eventos públicos (desfiles, provas desportivas, espectáculos, concertos, etc.) contribuíndo para reforçar a animação urbana. O edificio assim confinado ao espaço encerrado e respectivo prolongamento lateral coberto permite hierarquizar duas distintas praças: a praça da Alfândega, mineral, estática, e totalmente aberta ao mar, a do interface rodoviário, dinâmica e vibrante em luz e sombra , fazendo a transição gradual para a Avenida Infante D. Henrique através da mediação da faixa de circulação ciclo-pedonal atravessando eventualmente pavimentação verde e arborizada. É no entanto no âmbito da definição da área de intervençâo pedida no regulamento do concurso que se fundamenta a proposta como uma mais valia não só arquitectónica, paísagistica e ambiental mas também contribuinte para a própria sustentabilidade financeira de toda a operação. A extensão ao longo de quase um quilómetro de frente de cais afectada pela logística dos cruzeiros obriga ao recúo da faixa ciclo-pedonal retomando o contacto visual com o rio apenas nas praças perpendiculares. Ao propor um acompanhamento construído em que a matriz repetitiva das coberturas limita uma espacialidade porosa entre cheios e vazios contentores de actividades o temporário afastamento do rio pode adquirir outras vivências enriquecedoras.

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