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Ponta Delgada, Portugal

MUSEU CARLOS MACHADO - Ponta Delgada, Açores

Remodelação e ampliação do edifício sede

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O antigo Convento de Santo André, que é hoje a sede do Museu Carlos Machado, ocupa uma das colinas da cidade, e assume no tecido urbano de Ponta Delgada um protagonismo que não decorre apenas da sua posição geográfica, mas também do significado que assume, desde há séculos, na vida cultural da cidade, da ilha e do próprio arquipélago. O edifício, na história da sua vida mais recente, já como Museu, sofreu algumas intervenções que foram de impacto muito expressivo sobre a sua estrutura espacial e distribuitiva inicial. Do antigo Convento restam aparentemente estabilizados os espaços de carácter mais público, objecto de intervenções eventualmente descaracterizadoras que carecem de estudo e identificação, mas no seu conjunto, o edifício apresenta-se à cidade e à paisagem com uma presença de grande clareza e tranquilidade.

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A implantação do novo corpo edificado procura reconhecer a realidade espacial e a identidade específica do conjunto Convento-Cerca, cuja coerência se manteve praticamente intacta nos séculos da sua vida multifacetada. Mesmo a cedência de uma parte do terreno do interior da Cerca para o espaço público urbano não destruiu essa identidade, mesmo com a transformação dos terrenos envolventes em jardim, documentada já em fotografia, no século XX.

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As áreas edificadas que o projecto propõem na cerca do convento desenvolvem-se em estreita relação com os níveis do jardim, buscando relações de vista próxima com a envolvente urbana e com o edifício preexistente, ao nível do peão. São espaços de relação com o exterior e com a cidade que se fundem com a topografia e nela recolhem o seu sentido volumétrico.

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É no contacto com a entrada hoje principal que o novo corpo se afirma, constituindo-se simultâneamente como núcleo principal de acessos e como núcleo de introdução ou referência para o espaço expositivo. Este novo corpo adossa-se ao corpo edificado antigo, articulando-se com este em termos de circulações e acessibilidades. A sua materialidade marca claramente o novo tempo de vida que se propõe para o edifício. De estrutura metálica envolvida interior e exteriormente por paineis de vidro opalino, este novo corpo evidencia a vida, a circulação e as próprias montagens expositivas no seu interior, potenciadas pela iluminação presente no interior das suas duas camadas. Este vazio intersticial permite a circulação do ar, garantindo o equilíbrio das condições de conforto térmico no seu interior. Em termos urbanos, constitui-se como sinal, reflectindo os raios solares, ou iluminando-se à noite para se assumir como elemento de referência na cidade, espécie de farol.

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Toda a intervenção procura encontrar no sítio a sua razão de escala, a sua razão de integração e de diálogo com as preexistências, as próprias soluções de relação das partes novas com o existente, afirmando o propósito de entender em contexto o edificado, a cerca e o jardim.

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No seu conjunto, o projecto propõem o reforço da identidade deste lugar, preparando-o para uma nova etapa da sua vida na cidade, e nas novas relações que estabelecerá com os seus habitantes.

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